Ano A
26 de fevereiro de 2016
«Procurai primeiro o reino de Deus e a sua justiça,
e tudo o mais vos será dado por acréscimo»

O Oitavo Domingo (Ano A) remete para a experiência humana: sem confiança não é possível viver. A confiança do tão vulnerável recém-nascido, a confiança essencial entre os esposos, a confiança necessária nas responsabilidades profissionais, e muitas outras. A confiança é um valor evangélico, é um pilar da fé. A fé e confiança são vocábulos que têm a mesma origem. Ora, em Deus está a nossa confiança (segunda leitura). Ele nunca se esquece de nós (primeira leitura). E nós podemos contar sempre com Deus (salmo), até porque é nosso Pai. Deixemo-nos habitar pela confiança (evangelho), não para ignorar os problemas do mundo, mas para ir ao encontro dos irmãos com o firme propósito de lhes anunciar a alegria do Evangelho.
“Procurai primeiro o reino de Deus e a sua justiça”
Um dos mais sublimes fragmentos do evangelho segundo Mateus! Continuamos a acompanhar o Sermão da Montanha: estamos na terceira parte, na qual o evangelista recolhe um conjunto de exortações feitas por Jesus Cristo. O conteúdo centra-se na confiança absoluta em Deus Pai: ama a todos e a cada um, está presente em todos os momentos da nossa existência. O que é realmente importante na vida? O que é que dá verdadeiro sentido ao existir: a preocupação pelas coisas materiais (a comida, o vestuário) ou pelas coisas espirituais (o Reino de Deus e a sua justiça)? Jesus Cristo convida a um discernimento equilibrado, naturalmente sem desprezar por completo as preocupações materiais, mas também sem fixar nelas o último sentido da vida. Há que reorientar a vida para os valores verdadeiramente importantes, os que enchem de sentido o ser humano. A opção pelo “Reino de Deus e a sua justiça” não é uma questão ética, é uma questão de fé. A preocupação excessiva pelas coisas materiais é um sinal de carência de fé. É, pois, necessária uma conversão constante ao que mais importa: “Procurai primeiro o reino de Deus e a sua justiça”. O segredo está em aprender a não se deixar dominar pelas “inquietações” quotidianas, mas a procurar “primeiro” a confiança em Deus. Menos inquietações e mais confiança em Deus. O Reino de Deus é o “amanhã” que há-de determinar a vida do discípulo. Trata-se, portanto, de configurar a vida com a vontade de Deus, tarefa fundamental do crente.
Louvor confiante
“Jesus observa a vida, e a vida fala-lhe de confiança e de Deus. É como se também a nós nos dissesse: contemplai, desfrutai, enamorai-vos de tudo aquilo que torna a vida bela. E escutai-a: ela fala de infinito” (Ermes Ronchi e Marina Marcolini). Procurar “primeiro o reino de Deus e a sua justiça” é também aprender a louvar a Deus pela espanto da vida. A confiança em Deus é uma atitude vital que possibilita um novo estilo de vida, em permanente louvor, a exemplo de Maria. “Ela é a crente, a grande crente! […] Maria acredita e proclama que Deus não deixa sozinhos os seus filhos, humildes e pobres, mas socorre-os com misericórdia e solicitude […]. Esta é a fé da nossa Mãe, esta é a fé de Maria!” (Francisco, Angelus, 15 de agosto de 2015).
A palavra de Deus é viva e eficaz,
conhece os pensamentos e intenções do coração.
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
Mt 6, 24-34
Naquele tempo,
disse Jesus aos seus discípulos:
«Ninguém pode servir a dois senhores,
porque ou há-de odiar um e amar o outro,
ou se dedicará a um e desprezará o outro.
Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro.
Por isso vos digo:
«Não vos preocupeis, quanto à vossa vida,
com o que haveis de comer ou de beber,
nem, quanto ao vosso corpo, com o que haveis de vestir.
Não é a vida mais do que o alimento
e o corpo mais do que o vestuário?
Olhai para as aves do céu:
não semeiam nem ceifam nem recolhem em celeiros;
o vosso Pai celeste as sustenta.
Não valeis vós muito mais do que elas?
Quem de entre vós, por mais que se preocupe,
pode acrescentar um só côvado à sua estatura?
E porque vos inquietais com o vestuário?
Olhai como crescem os lírios do campo:
não trabalham nem fiam;
mas Eu vos digo:
nem Salomão, em toda a sua glória,
se vestiu como um deles.
Se Deus assim veste a erva do campo,
que hoje existe e amanhã é lançada ao forno,
não fará muito mais por vós, homens de pouca fé?
Não vos inquieteis, dizendo:
‘Que havemos de comer? Que havemos de beber?
Que havemos de vestir?’
Os pagãos é que se preocupam com todas estas coisas.
Bem sabe o vosso Pai celeste que precisais de tudo isso.
Procurai primeiro o reino de Deus e a sua justiça,
e tudo o mais vos será dado por acréscimo.
Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã,
porque o dia de amanhã tratará das suas inquietações.
A cada dia basta o seu cuidado».
Reflexão preparada por Laboratório da Fé | in http://www.laboratoriodafe.net