Ano B
25 de fevereiro de 2018
Continuamos a nossa caminhada quaresmal e, neste segundo Domingo da Quaresma, a Palavra de Deus define o caminho que o verdadeiro discípulo deve seguir para chegar à vida nova: é o caminho da escuta atenta de Deus e dos seus projetos, o caminho da obediência total e radical aos planos de Deus.

A Liturgia coloca, no centro da nossa reflexão, o Amor incondicional de Deus Pai, mistério de luz revelado no rosto do seu Filho Jesus. Luz que penetra e ilumina todas as dimensões da existência humana, luz que transfigura a vida daqueles que abrem o coração à procura da face do Senhor. Na montanha, sinal da presença e manifestação de Deus, Jesus revela o esplendor da glória divina. A transfiguração é a manifestação da glória da ressurreição, sinal da vitória do Senhor. O Deus da vida tem a palavra final e nada justifica a dúvida, o desanimo, pois de facto, ninguém nos pode separar do Amor de Deus, em Cristo. Respondamos ao apelo de Deus: “Este é o meu Filho muito amado: escutai-O” e deixemos que a escuta da Palavra de Deus transforme a nossa vida.


O Papa Francisco, palavra profética à Igreja dos nossos dias, tem denunciado, variadas vezes, o Cristianismo instalado e comodista. O comodismo pode levar-nos a permanecer indiferentes e alheios ao Evangelho da novidade ou a conceber uma imagem privada de Deus que se ajusta àquilo que pretendemos e nos é útil em dado momento. Este Domingo propõe-nos a libertação do peso ou pecado da “privatização da fé”.

Trata-se de não permitir que a vivência da fé seja orientada pelos desejos pessoais, pelo que é mais cómodo, pelo que me apetece, à minha medida. A fé autêntica alimenta-se da escuta de Jesus Cristo, a Palavra do Pai que desce ao nosso coração. Uma escuta que quase sempre surpreende, porque revela a novidade do rosto de Deus. Exercitemo-nos na arte da escuta! Sejamos capazes de renunciar ao pecado da “privatização da fé” para podermos alcançar o desafio do Deus que nos faz descer o monte e palmear o mundo que clama pelo anúncio da verdadeira esperança.




Estamos em Caminhada Quaresmal, tempo de abrir o coração a Deus e escutar todos aqueles que sofrem, tempo de dar mostras de uma caridade autêntica e generosa. Por isso, na Quaresma, se faz um apelo forte à partilha. A partilha liberta-nos da ganância e ajuda-nos a descobrir que o outro é nosso irmão. Durante esta Quaresma, o elemento simbólico e lugar de partilha é a cruz.
Hoje, vimos colocar junto da cruz do Senhor estes produtos de higiene pessoal para que, depois de abençoados, sejam entregues no CISE e distribuídos, pela ACR, aos Sem-abrigo do Porto.

As nossas orações acabam por ser mais constituídas por pedidos do que por louvores. Abraão coloca-nos na “escola da fé”, na “escola da esperança”. Por isso, nesta semana, vamos rezar em família: vamos tentar que a nossa oração não seja para pedir mas para louvar e agradecer a Deus. O livro “Rezar na Quaresma” poderá ser uma grande ajuda!
Como gesto de partilha para a próxima semana, vamos trazer roupas e produtos de bebé.